Escassez de jovens caminhoneiros preocupa setor

A idade média dos motoristas está alta, e a renovação da força de trabalho enfrenta desafios.
O Brasil enfrenta uma crescente dificuldade para atrair jovens para a profissão de caminhoneiro, essencial para o transporte de cargas no país. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de 2019, a faixa etária predominante entre os motoristas é de 40 a 49 anos (29,6%), enquanto os profissionais com até 29 anos representam apenas 8,9% do total. O envelhecimento da categoria e a proximidade da aposentadoria de muitos trabalhadores agravam o problema.
Para Gustavo Krás, coordenador do núcleo COMJOVEM Porto Alegre, o desinteresse dos jovens pela profissão está relacionado às mudanças no mercado de trabalho e ao estilo de vida exigido pela atividade. “Ser motorista demanda desprendimento, pois envolve viagens longas e afastamento da família e amigos. A juventude atual está muito voltada para entretenimento, o que reduz o apelo da profissão”, avalia.
Delmar Albarello, presidente do SETCERGS, aponta que mudanças na legislação também impactam a profissão, como a obrigatoriedade de descanso no sétimo dia de trabalho. Segundo ele, essa medida dificulta a rotina dos motoristas e pode desestimular novos profissionais a ingressarem na carreira.
Apesar dos desafios, Krás destaca que a profissão ainda oferece boas oportunidades, especialmente para quem não possui formação superior. Ele defende a implementação de projetos nas escolas para divulgar os benefícios da carreira e incentivar o interesse dos jovens. “A sociedade precisa enxergar o caminhoneiro como uma escolha profissional viável e vantajosa”, afirma.
Outro fator que pode tornar a profissão mais atrativa é o avanço tecnológico no setor. Caminhões modernos oferecem mais conforto e recursos avançados, melhorando a experiência de trabalho e reduzindo o desgaste dos motoristas.
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