18 de dezembro de 2017
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SITUAÇÃO DO FRETE É GRAVE E HÁ RISCO DE RUPTURA
 

O levantamento Visão Gestão de Fretes Brasil 2016, em segunda edição, dá conta de que a temperatura se elevou entre as partes em função da crise, que aumentou a pressão sobre os valores do frete em 2016.

A novidade do estudo atual foi incluir a visão das transportadoras sobre o mercado. Em 2015, GKO e RC Sollis realizaram o trabalho somente com os embarcadores.

A pesquisa nacional foi realizada pela GKO Informática e RC Sollis, associadas da Abralog, a Associação Brasileira de Logística, que organizou o evento de divulgação.

A disputa pelo valor do frete provocou rupturas de relacionamentos comerciais antigos e o cenário indica que esses desencontros devem continuar em 2017, comenta Celso Queiroz, diretor da RC Sollis, foto, e vice-presidente de Operadores Logísticos da Abralog.

De acordo com a edição 2016 do estudo, a perspectiva de preços para 2017 é de aumento do risco de operação. Ao ouvir embarcadores e transportadores de todo o país, foi detectado que os primeiros julgam estar pagando caro pelo serviço e os prestadores, por sua vez, acreditam estar operando com preços abaixo do limite suportável.
  
A GKO Informática e a RC Sollis ouviram embarcadores que expedem anualmente R$ 180 bilhões em mercadorias, um gasto em fretes da ordem de R$ 3,5 bilhões. O valor médio do quilo dessa carga é de R$ 22,60, sendo que no total há movimentação de 7,90 milhões de  toneladas durante o ano. As transportadoras pesquisadas movimentam 5,5 milhões de toneladas/ano e realizam 15 milhões de entregas.

"A relevância da pesquisa aumenta por ser publicada dois anos seguidos e em um período de profunda transformação, onde as empresas precisam movimentar-se na direção da otimização de custos, nos ganhos de agilidade de seus processos e no melhor atendimento aos seus clientes",  analisa o diretor Comercial da GKO Informática, Ricardo Gorodovits, foto, que também é Conselheiro da Abralog.

Feita em 2015, a pergunta "Como estão seus transportadores nos últimos 3 anos?" foi repetida em 2016. Apesar dos ruídos provocados pela negociação de valores, os embarcadores continuam satisfeitos com seus transportadoresa: enquanto na pesquisa anterior 90% responderam que iguais ou melhores, a avaliação de 2016 não mudou, pois 89% cravaram a mesma resposta: iguais ou melhores.

GRANDE CONTRIBUIÇÃO PARA A LOGÍSTICA

Para o presidente da Abralog, Pedro Francisco Moreira, a pesquisa é uma grande contribuição para a logística nacional, em todas as áreas de ação, pois é extremamente útil para os profissionais, empresas embarcadoras e de transporte, além dos governos.

"O levantamento radiografou a carga, notadamente a fracionada, em todo o território nacional, em grandes, pequenas e médias cidades; foi também aos rincões desse País. O trabalho é um guia consistente e robusto", comentou durante o evento.

CONCLUSÕES E TENDÊNCIAS

O mercado brasileiro de distribuição está cada vez mais complexo e com canais de distribuição especializados e exigentes (atacado, atacado/distribuidor, varejo, multivarejo, multiníveis, door-to-door, B2C) com as transportadoras sendo "especialistas” em todos eles.

Está ficando comum embarcadores operarem em mais de um canal, com tendência de serem omnichannel.

Todos os canais de distribuição cobrindo interiores mais remotos e periferias de difícil acesso.

Aumenta nas cidades a restrição de tráfego bem como o crescimento de gargalos.

Está clara a necessidade de se ter logística reversa de pós-venda tão eficaz como a logística de entrega.

Nível de exigência geral se eleva - tanto dos dos clientes, quanto dos clientes dos clientes.

Mão-de-obra precária, com problemas de formação e treinamento dado pelas empresas.

Várias rubricas de custo atreladas ao dólar, portanto, com muita volatilidade.

Burocracia estatal pesada, lenta e com interferência direta no custo de operação (impostos, meio-ambiente, licenças de operação, alvarás, etc).

Malha viária (urbana, interurbana e interestadual) problemática.
Graves problemas de segurança pública. 


Aumento de pressão por prazos de entregas menores e mais precisos, com estoques menores.

Hoje, para o transportador, prazos menores e mais precisos significam necessariamente aumento de custos.

As "não-entregas” e sua gestão são causas geradoras de custo alto tanto para embarcadores (P.A., estoque em trânsito, perda de vendas, imagem, etc) como para o transportador (custos de reentregas, custo de informação, aumento da sinistralidade). Vale tanto para o mercado B2B como B2C.

A busca conjunta de solução para esse problema é uma das principais oportunidades de redução de custos e ganho de produtividade.

O aumento da terceirização das operações logísticas está também aliado a mais riscos passados de forma cada vez mais estruturada às transportadoras.